"Zarpando do Rio proa pro Nordeste" Tempo ruim, vento contra, muita onda = Que maravilha!
Mais uma vez comprovamos que para velejar não pode ter hora para chegar, o que traduz o significado de nossa empresa Sailabout (velejar sem rumo, sem hora para chegar, buscando encontrar algo antes do destino final). Com prazo para chegar à Salvador o Macu saiu imediatamente após resolvido o problema do Stay de proa. Com vento contra e forte, ondas enormes e rumos muito ruins. Fizeram por volta de 150 milhas por dia, mas somente 80 para o rumo correto. Capitão Guille decidiu ir a vela e deu um bordo para fora.
Dia 27 de agosto as 14h26 recebi uma mensagem do Capitão dizendo: "passei Buzios, vou direto a Macae e desde aí bordo para fora. Norte forte. Todos mortos (*). Macu bem e eu também" (*) N do E : Enjoados
Depois fiquei sabendo que segundo o Guille fazia muito tempo que ele não pegava mar não feio!
Proxima comunicação, enviada dia 28 as 2h20 da manhã:
"A 5 Mn de São Tome nada vento um pouco de onda a tripu melhorou um pouco acho que vou Abrolhos então ligo, não se preocupe"
Dia 29/08 as 8:42 da manhã recebo a preocupante mensagem: " Tenho problem com piloto vou parar em Vitoria"
Antes de chegar o Guille diz que desmontou todo o piloto, azeitou, limpou, rezou e montou de novo. No fim funcionou. Mas a tripulação estava quase se amotinando por um porto e decidiram realmente entrar em Vitoria. Segundo o Capitão, devido à ideia de ir direto a Abrolhos, estava um pouco aberto demais e o bordo para dentro foi de dar pena por causa do quanto estavam perdendo de milhas ao rumo. Mas decidiu entrar de qualquer maneira.
Passei o domingo procurando uma assistencia técnica para o piloto em Vitória e acabei encontrando uns contados graças a uma pessoa de uma loja nautica do Iate Clube do Espirito Santo. Não foi necessário por que "el Gordo" nosso piloto Autohelm acabou não dando mais problemas, pode ser que estava cansado de fazer tudo sozinho! ou com ciúmes do enrolador que teve mais carinho do que ele que trabalha mais. Vai saber!
De repende entra um sulzinho e o Macu navega com balão e tripulação feliz da vida! Veja o video, que bonito! Com trilha sonoria de Victor e Suzy do Veleiro Simbad. Aproveite e visite o site deles e curta lindas musicas: http://www.simbad.com.br/pagina.aspx?id=105
Reparando o Stay de Proa no Rio de Janeiro Na Marina da Gloria desmontamos o enrolador com a ajuda do pessoal da Nautos
trabalhão
Os danos não pareciam tão graves a principio, mas não i ser tão fácil.... Encomendamos o Norseman para a parte de baixo do Cabo de aço.
Nas imagens acima dá para ver as partes do enrolador desmontado, a Base de inox dobrada e quebrada e Mastro do Macu sem stay de proa
Saímos da Marina da Gloria para o ICRJ com muita coisa fazer. Muita mão de obra para retirar o púlpito de proa, Guillermo no bote balaçando lá em baixo eu numa posição nada elegante na proa ajudando a soltar a tal peça, já meio amarrada para não ir tudo para água. Levamos para o serralheiro chamado "Camarão".
Retirada do Terminal, recuperando a ponta da adriça
O Terminal não era como se supunha, é um terminal prensado que se chama Trulock Cogumelo. A Nautos não tinha esse terminal nem nenhum parecido. O cabo de aço terá que ser colocado por cima do mastro, passando em um orifício lá em cima na tampa do top do mastro, que ao ser retirada acabou gerando mais um probleminha (Guille quebrou o anemômetro). O tal terminal terá que ser prensado no cabo de aço e agora começa mais um capítulo da novela.
Liguei para o Toto da Veleria Hood em Buenos Aires e ele conseguiu um cabo de 8mm com o tal terminal numa empresa chamada Palau. Já estava pensando em mandar uma passagem para ele vir trazer tudo isso de lá. Depois falei com um monte de gente pelo Skype e com as idéias que o Nuno e Manfred do ICAR e o Beto Malagueta do Rio acabei conseguindo falar com Luana, na Morsing. Parece simples mas entre tudo isso que estou relatando se passaram 3 longos dias. A coisa parecia sem solução.
A peça de inox foi muito bem reparada pelo "Camarão" e ele também refez uma argola que vai na ponta da adriça que sobe a genoa.
Ligamos umas mil vezes para o Renato e o Jeferson da Nautos, para perguntar, perguntar, perguntar... Eles estavam fazendo o que podiam mas tinham os trabalhos nos barcos que iam correr o Match Race dia 26 e nós estavámos mesmo com urgência. A família que seria a tripulação do Macu para essa etapa, já estavam chegando para embarcar e não havia solução rápida aparente.
Foi quando recebi um super e-mail da Luana da Morsing. Disse havia encontrado um terminal que parecia ser o que eu havia explicado, pediu uma foto. Com muita criatividade Guille mandou essa foto abaixo e a Luana mandou a dela também veja:
Terminal antigo do stay de proa quebrado
Terminal que a Luana encontrou na Morsing
Graças a dica do Mafred (ICAR) encontramos o terminal apropriado. Deixei meio acertado o cabo de aço de 10 mm o Terminal e a prensagem com Luana, mas liguei para o Renato Nautos terminar o serviço, medir o cabo antigo, encomenda, receber etc. Entãoe segunda já teríamos todos os itens necessários comprados.
Instalamos o púlpito de inox, não sem acidentes. Perdemos, numa onda que balançou o bote e o barco, os calços de madeira que apoiavam a peça de inox da proa e tivemos que improvisar um pouco. Já estava escuro quando terminamos com o silicone e parafusos, pronto tudo no lugar.
A tripulação chegou no sábado e já não tinha mais nada o que fazer se não esperar. Esperar em um veleiro desses significa trabalhar em ou coisas. Coloquei um remendo de couro na parte de cima do doghouse que tinha rasgado com o contato com a retranca navegando, Guille resolveu trocar as lampada das luzes de cruzeta e mais um monte de outros serviços. Domingo tivemos que lavar roupas e não encontramos nenhuma lavanderia por perto, acabamos na casa de minha tia Beth, ou melho, na lanvanderia da casa dela.
Ficamos sabendo que o Unlimited, do Patrício e da Silvana, tinham voltado tambem de sua primeira tentativa de "subir" o grande Swan Suzy Dear também estava de volta com problemas no stay da trinqueta e no motor... quer dizer, não fomos os únicos desafortunados. Não queo nada de ruim para os amigos, mas isso dá um sentimento de grupo estranho.
Eu e a tripulação do Macu amarinamos bem o veleiro, colocando redinhas nas prateleiras, verificamos se havia água nos porões, fizemos um reparo no balão e muitas coisinhas que fazem diferença na hora do mau tempo no mar aberto.
Na Segunda pedi para meu assistente Rapha ir até o ICAR e trazes a buja, Guille estava preocupado com o vento NE forte e achou melhor ter essa vela como opção. Caso tudo desse totalmente certo eles iam sofrer com um tempo realmente ruim nos primeiros dias de navegação porque ia ser difícil explicar para o pessoal que além do atraso pelo acidente ainda teriam que ficar mias uns dias no Rio esperando melhorar o vento. Fomos à Marina da Gloria achando que estava tudo certo e descobrimos que ainda faltava lutar com uns parafusos que estavam travados e o perfil do enrolador que estava muito empenado. A solução foi Sr. Elias que sempre foi muito gente fina conosco. Ele olhou bem para aquilo e disse que era para deixar com ele e ter paciencia. Com paciencia fomos ao centro na loja O Veleiro, lá descobrimos que eles revendiam enroladores da Proful, marca do nosso, mas que infelizmente não teriam tempo de encomendar novos perfis com tempo para nossa necessidade. Portanto teríamos que confiar na arte do Sr. Elias.
Perfil do enrolador e genoa desmontado e cabo de aço do stay de proa quebrado
Fomos buscar a vela vinda de Angra na Rodoviária e voltamos para o ICRJ. A tarde foram feitas algumas compras de víveres frescos para a viagem. Na terça estavámos todos determinados a montar o enrolador de qualquer jeito. O trabalho com os barcos do Match Race se intensificaram e o Renato machucou o braço e estava imobilizado. Começaomos a trabalhar todos na Nautos para medir bem o cabo, cortar, arrumar outros detalhes dos parafusos do perfil levamos tudo para o barco, conseguimos falar com Sr. Cândido indicado pelo Beto Malagueta. Sr. Candido chegou meio-dia e foi comprar parafusos adequados pois os que haviamos fabricado com sr. Elias, segundo ele não iam funcionar. Começamos a montagem pelo cabo de aço passando por cima do topo do mastro para baixo, depois os perfis e as partes corretas do enrolador. Não teria sido possível fazer isso sem sr. Cândido. Sobe e desce no mastro com a ajuda de todos e a experiência do Sr. Cândido acabou dando tudo certo e as 19h estava pronto. A Marina da Gloria não é mais a mesma anfitriã de antes e tivemos que sair de noite para o Iate Clube. Fizemos uma "cerimônia" de embarque da familha Bernal que a partir deste dia estavam oficalmente embarcados e com funções determinadas. Foi um jeito de chamar atenção das crianças para a necessidade de obedecerem as ordens e de serem responsáveis a bordo.
Medindo o cabo de aço velho e o novo
No dia seguinte, verificamos filtros de combustível e óleo de motor, subimos a buja, guardamos a genoa, preparamos os últimos detalhes e nos despedimos. Desembarquei vendo a linda familia do Volnys (pai), Regina, Nicolas e Volnys (filho) com capitão Guille a bordo do meu querido Macu, preparando tudo para partir. Eu sabia que não seria fácil para eles. uma primeira experiência avassaladora com aquele vento e onda.
Voltei para Angra com uma vontade absurda de estar com eles. Mas nessa navegação o Macu tem um sexto tripulante em terra, pelo menos até daqui uns dias. Espero que o Volnys seja um bom segundo a bordo em meu lugar e que ajude o Guille a levar o Macu em segurança para seu destino.
Partida do Rio de Janeiro para Vitória - Macu sofre acidente
Eu e Guillermo deixamos o Iate Clube do Rio de Janeiro, por volta das 17h. Após alguns dias de preparação e grandes momentos com grandes amigos, o veleiro Macu parte para a sugunda etapa desta navegação.
Saída do Iate Clube
Com vela grande e motor deixamos a Baía de Guanabara seguindo proximo à costa, já com o motor desligado, genoa e vela grande, o vento mais prestado, passando muito proximo à costa. A preocupação era com as ondas que quebravam nas pedras proximas seguindo essa confusão alguns metros para dentro do mar. Passado o momento de tensão e com vento em proa com um bordo para fora já com a noite bem escura, Guillermo faz o primeiro turno até as 23h mais ou menos.
Não consegui dormir muito não. Levanto para o segundo turno, o vento rondava muito e haviam muitos barcos de pesca que iam de um lado para o outro passando bem perto algumas vezes. O frio também era incômodo, o Macu estava navegando com uns 8 nós de velocidade talvez mais em varios mometos. As 4 da manhã Guille assume mais uma vez o comando e liga o rádio, 30 minutos depois um estalo e em seguita um barulho forte, o barco diminui a velocidade. Milhões de possibilidades passam pela nossa mente nessas horas, nos segundos que demoram entre o barulho e a descoberta do que foi que quebrou. Na escuridão estava o problema, genoa e enrolador na água, ai ai ai, o stay de proa! O locutor da rádio anunciava 4h30 juro que queria jogar o rádio na água neste momento, preferia silencio para poder pensar e agir rápido. recolhemos a vela e o enrolador e amarramos como podíamos no convés, não consegui soltar a base do enrolador que se dobrou sobre a proa, então boa parte do topo do entorlador estava arrastando na água lá atrás. As ondas eram grandes e irregulares e o Guille dava um monte de instruções enquanto eu fazia tudo muito mais rápido do que faço normalmente. Preocupados com o mastro colocamos a adriça da genoa 2 e do balão (ambas também saindo do top) fixadas na proa e caçamos bem. Eu estava mais forte a agil do que parecia ser possível, adrenalina ou necessidade, não sei, mas escutava claramente o que o Guille queria mesmo estando lá na proa e ele nos stoppers abaixo do dog house.
Decidimos rapidamente voltar. Meia volta para o Rio de Janeiro depois de cerca de 80 milhas navegadas. Agora com vendo de popa, com a vela grande aberta, passamos um cabo para a retranca ficar parada no lugar mesmo com o balanço das ondas. Os pesqueiros não estavam mais por perto e não havia nada para fazer até que clareasse o dia.
O frio que tinha sumido voltou, agora que não tinha mais nada para fazer e nos alcamamos um pouco, comecei a sentirminha pressão baixa enquanto repassava todo o acontecido na mente. Ainda não sabia a gravidade dos danos e nem como é que o mastro ainda esta de pé.
Decidimos nos aquecer, estavamos com um bom rumo de volta para o Rio de Janeiro e agora era esperar amanhecer, esperar ter sinal de celular, avaliar realmente os danos e decidir o que deveriamos fazer. Ligar para a tripulação cancelando a subida e a Regata era uma opção que eu não queria pensar mas que sinceramente é o que mais me preocupava no momento. Eu ia fazer de tudo para resolver e quando decido alguma coisa eu faço mesmo, então fiquei confiante e não deixei meu capitão desanimar. Encontrei em algum lugar as palavras certas e a força para ser prática e efetiva. Não consegui descansar um só minuto, vi o dia clarear com muita expectativa. Vi o enrolador inteirinho, a vela sem danos, percebi que fiz uma baita confusão com as adriças e tive que refazer isso lá na proa, verifiquei que o suporte de inox da proa estava muito danificado e que a base do enrolador havia entortado, percebi que a parte do enrolador que estava arrastando na água estava sofredo muito e tentei amarrar melhor. Consegui ver que a parte de cima do enrolador estava todo lá. Acho que vi uns peixes seguindo a ponta .... bom deixa pra lá. Vamos ver o mastro. Caramba! Achei melhor chamar o Guillermo para dar uma olhada. Tomara que eu esteja errada mas parece meio torto. Guille, se assustou com minha preocupação, mas após soltarmos um pouco o stay de popa parecia que estava melhor. A possibilidade de haver danificado o mastro mudava tudo! O pesadelo da possibilidade de ter que desistir estava mais uma vez nos atormentando.
Finalmente havia sinal de celular. Ligamos para o Eduardo na Verolme e ele nos aconselhou falar com a Nautos. Liguei para o Renato e expliquei a situação: enrolador Profurl R42, cabo de aço de 10 mm... ele ficou de nos esperar na Marina da Gloria. Em algumas horas estariamos lá e daí uma avaliação adequada.
De volta ao Rio de Janeiro sem stay de proa e com muita preocupações
Chegamos na Marina da Gloria por volta das 13h e o Renato e seu pessoal nos esperavam. Retiramos o enrolador e verificamos os danos. O mastro parecia ok, o pulpito de proa teria que ser tirado e levado para reparar. O perfil de aluminio do enrolador estava um pouco empenado, foi um pouco dificil desmontar. O Renato encomendou o Norseman para a parte de baixo do novo stay e um terminal prensável para o de top. Voltamos para o Iate Clube, e com muito esforço conseguimos retirar o pulpito de proa e levamos para reparar no serralheiro chamado "Camarão" aí do Iate mesmo. Nos prometeu terminar para o dia seguinte.
Parecia tudo encaminhado, liguei para o Volnys que iria embarcar com esposa e 2 filhos em Vitoria dia 23 e disse para ele mudar os planos, embarque no Rio de Janeiro.
A Nautos dizia que no sabado estaria pronto, mas já conheço isso... sabado de que mês? Tinha certeza que isso ia demorar muito mais, pelo menos um atraso de uma semana teriamos que engolir.
Amanhã vamos buscar a ponta da Adriça lá em cima e retirar o terminal do cabo de aço do stay.
Segundo o Guillermo o fato de termos o baby stay caçado e o stay da trinqueta colocado preservou o mastro. Então como ele mesmo disse foi um desastre com sorte.
Guille parte do Abraão para o Rio de Janeiro em Solitario
Apos uma escala breve no Abraão, onde Guille pôde recarregar o tanque de mergulho com o Ricardo da Abudefduf e se encontrar com os amigos Supi e Augusto, nosso veleiro finalmente deixa as águas obrigdas da Baía da Ilha Grande. Rumo ao Rio de Janeiro em solitário, com chuva e vento. Veja vídeo clickando na imagem abaixo.
Depois de muitos preparativos e já abastecido Capitão Guille zarpa com o Macu para Recife.
Preparar o barco pra navegar em mar aberto depois de tanto tempo dentro da baía da Ilha Grande é muito importante para o sucesso da viagem.
Muitos amigos já estão no meio do caminho esperamos encontra-los em breve.