PortuguêsEnglishSpanish  - Español Formal Neutro Tu






Nome de Usuário Senha Lembrar de mim Esqueceu sua senha? Crie uma
Home arrow Diário de Bordo arrow Viagem França x Brasil 2009 arrow De Recife à Ilheus

De Recife à Ilheus PDF Imprimir E-mail


De Recife à Ilheus


Após vencer a Regada Recife - Fernando de Noronha na Classe Aberta A, festa de premiação e uma semana em Noronha, o veleiro voltou para Recife onde a tripulação desembarcou.

Eu fui para Recife dia 26 para encontrar com o capitão e mais dois tripulantes agendados para a viagem para o sul. Dia 27 era domingo o que atrapalhou um pouco a organização mas estavamos todos muito animados com o embarque. No final do domingo estavamos prontos para sair, mas recebemos a notícia de que os veleiros que haviam tentado sair de Recife durante o dia haviam regressado devido ao mal tempo e o mar grosso. O Capitão decidiu esperar um pouco para não forçar muito o barco nas ondas em contra logo na saída. Alguns colegas aconselharam não sair até que melhorasse o tempo, mas nós não tínhamos essa opção.



A pior coisa para um barco a vela é a agenda, o calendário, a data marcada para chegar. Isso nos incomodou muito no ao passado quando tivemos que descer motorando de Salvador até o Rio de Janeiro pelo prazo estipulado pelo armador do Bavaria 44. O barco que tinha sido cuidado com carinho durante 5 mil milhas sofreu com mar em contra e pancadas fortes devido ao erro de querer colocar uma data de chegada para veleiros.

Como bem diz a musica da dupla do Veleiro Simbad: eu disse que no dia 2 não vai dar "veleiro vai devagar, depende do vento e do mar". Pois é, repetimos o erro, o BYC Angra tinha data marcada para chegar à Caravelas. Saímos de Recife dia 28 de setembro com mal tempo, ondas médias de 4 metros, vento e corrente contra e muita boa vontade a favor. O primeiro rumo era negativo, quer dizer, se afastava do objetivo, "voltando" em direção à Noronha. Não havia outra forma, nem a vela, nem a motor, era esse o único rumo que se podia fazer. Seguimos assim durante 4 horas e nos afastamos mais ou menos 20 milhas negativas (RV 120°, com vento sul de 21 nós). Nosso novos tripulantes Marcelo e Beto foram abatidos pelo mal dos mares revoltos e estavam tentando se recuperar. Eu e o capitão conversavamos no cockpit após um lanchinho quando fisgamos um pequeno atum que foi imediatamente devolvido ao mar.

Durante a navegação anterior, voltando de Noronha para Recife a tripulação pescou uma grande dourada e um wahoo que ainda estavam mantendo as refeições em alto nível a bordo. O pequeno atum voltou para o mar para crescer uns quilos mais, voltaremos para buscar-lo ano que vem. Devido a parada resultante da pesca, decidimos cambar rumo a costa. Graças ao atum acertamos exatamente o momento da cambada. Pensávamos que seria necessário mais um bordo para fora mais tarde, só que o vento rondou e as 15h faziamos rumo verdadeiro 220°, orçamos o máximo possível evitando bater muito contra as ondas, os meninos dormiram toda a tarde, já eram mais de 17h quando ressurgem os mareados. Jantamos (os não mareados) filé de Dourada na chapa com alcaparras.

Durante a noite fizemos turnos de 2 horas de vigia e 6 horas de descanso. No primeiro turno o vento prestou e faziamos de 7,5 a 9 nós de velocidade com rumo entre 180 e 190° com pouco movimento de embarcações, todas de pequeno porte. A meia noite, o vento aumenta e a velocidade passa dos 9 nós. Muitos barcos pesqueiros ancorados começam a dar trabalho e preocupação. O vento abriu um pouco e foi dificil arribar para desviar dos barcos. Marcelo, o novato, marinheiro de primeríssima viagem, assume a primeira guarda de sua vida e fica até de manhã para ver o sol nascer no mar. Nas primeiras 24h fizemos 151 Milhas em linha reta, sem contar as 20 milhas perdidas.

No segundo dia as condições eram mais ou menos as mesmas com vento e ondas em contra, fizemos 180Mn em linha reta nessas 24h. O sol começou a aparecer. Pescamos uma Dourada de quase 20 kg que lutou por quase 1h antes de ser embarcada. Tenho fotos e filmes que comprovam, era mesmo muito grande, forte e brava.

A tempestade agora parecia estar passando, o mar continuou forte mas, após passar Maceió os ventos Alísios não têm mais influência, o vento ficou mais fraco e totalmente de proa. Navegamos toda a tarde do dia 30 de setembro a motor. A calmaria virou festa, Guillermo preparou peixe ao forno, Marcelo caipirinhas, e comemos petiscos antes do almoço. Quando voltei do decanso da tarde estavam os 3 meninos apreciando o pôr do sol, lindo! Beto fez pizza caseira e assistimos um filme. Avistamos golfinhos nesta tarde e alguns dizem que quando eles aparecem assim rapidamente é que vai virar o tempo. Dito e feito...

Dia 1 de outubro chegou com forte vento entre S e SW. A ventania não demorou para virar tempestade, com chuva e vento, ondas enormes! O melhor rumo possivel era 250°. Navegavamos há 11, 12 nós com 2 rizos na vela grande e pouca genoa, um show! O barco vinha bem adernado mas seguimos controlando com a vela grande. Marcelo não acreditava que isso era um inclinação normal para esse veleiro e ficou muito preocupado. Tentamos explicar que era assim mesmo, tenho certeza que ele não acreditou nas explicações. Por fim após 5 horas de tentativas Guillermo decidiu rumar para Ilheus devido a impossibiidade de fazer outro rumo. Chegamos as 17h no Ilheus Iate clube onde fundeamos com auxílio do bote de apoio deste clube que nos recebeu muito bem. Desembarcamos com muita chuva. Marcelo nos deixou neste porto, mas disse que estava contente e que tinha gostado muito da velejada. O destino dele era Caravelas, mas com a impossibilidade de chegar ao porto de destino a aventura dele terminou aqui. Ele prometeu voltar, mas espero que coloque logo um comentario on line para sabermos dele mesmo suas impressões.
 

Última Atualização ( 10 de outubro de 2009 )
 
< Anterior   Próximo >
 
Todos os direitos reservados © 2010 Veleiros Angra dos Reis, Charters, aluguel - www.sailabout.com.br   SAPP - Sistema de Administração de Portais Públicos| www.amwebsites.com.br |
Dimixus®
- Página gerada em 0.529743 segundos